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sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Amamentando com dentinhos ? E agora ?

Sou muito fã de amamentação. Muito mesmo. Incentivo e defendo o quanto precisar seja lá pra quem for. E gosto muito da idéia da amamentação pelo menos até os dois anos de idade. Porém também acho que se o bebê ou a mamãe não estiverem confortáveis para prolongar que devem fazer o desmame quando se sentirem bem.

É cientificamente comprovado que a composição do leite materno sofre alteração de acordo com a idade do bebê a fim de atender as necessidades nutricionais e ainda que até os dois anos a criança continua recebendo imunidade através dos anticorpos transmitidos pelo leite. Fora os benefícios emocionais que a amamentação prolongada de forma saudável pode trazer para a criança e para a mãe.

Tive um bom preparo para a amamentação. Minha médica orientou bons exercícios antes do parto e no hospital a orientação foi muito boa também. Nunca deixei o bebê fazer pega errada. Sempre que ele fazia biquinho de canudinho, podia até chorar, mas eu fazia com que ele pegasse novamente para que eu  não ficasse machucada e ele pudesse sugar de forma eficaz. Assim tive a sorte de nunca ter me machucado e sempre fui muito feliz com a amamentação.

Meu sofrimento veio depois. Sim, beeeem depois... Com seis meses e dezenove dias avistei, com muitos gritos de alegria, o primeiro dentinho. Que coisiquinha mais fofinha de dentinho !! Uma graça !

Coincidentemente, uns dizem que é pela coceira nas gengivas, meu pequeno aprendeu a morder com seus novos dentinhos. E adivinhem qual era a hora preferida dele para morder ? A hora da amamentação, claro !

Começou a se tornar insuportável. Quem já viu os dentinhos quando nascem sabe como é: eles saem parecendo uma serrinha das boas. E os bebês são muito indefesos mas têm muita força na boca.

Cada vez que eu tinha que amamentar meu pequeno me sentia indo para a cova dos leões, pois eu estava sangrando, dolorida, sensível e aterrorizada com a idéia de que poderia levar outra dentada a qualquer momento. Cheguei a comprar um protetor para seio de silicone mas de nada adiantou pois a serrinha cortou o protetor na dentada...

E buscando no maravilhoso mundo da internet, me senti priviliegiada pois achei uma pesquisa que diz que apenas 15% dos bebês mordem na hora da amamentação (que sorte a minha, viu ?), achei um outro site dizendo que é impossível o bebê morder enquanto mama e que isso é invenção. (ok, até entendo que ele dá uma paradinha de mamar pra me morder, mas que isso existe moço.. aaah... existe sim !). Algumas das dicas eram pra falar não firmemente olhando nos olhos da crianças ( o meu ria e achava muito legal), outra dica é dar um grito de terror na hora da mordida (confesso que da primeira vez ele tomou um mini sustinho mas das vezes seguintes também achou graça e a mordida vinha pior), outra dica é fazer cócegas pra ele abrir a boca pra rir e soltar você (o meu ao contrário, apertava mais a boca achando engraçado).

Todas essas tentativas não deram certo pra mim. Em cada uma delas eu vertia lágrimas e sangue temperados com desespero e angústia de saber aonde aquilo ia parar pois eu não estava disposta a interromper a amamentação prematuramente. Meus protetores para o seio viviam com sangue, eu vivia cortada e muito dolorida e aterrorizada. Para o bebê foi um período ótimo pois ele deve ter pensado que a mamãe aprendeu a fazer novas micagens na hora da comida e achava muita graça.

E o que me dava mais desespero era o desespero dele. Pois eu enrolava muito sempre postergando a hora de amamentar, por causa do meu terror, claro. Só que, quanto mais eu postergava mais ele ficava desesperado de fome ou simplesmente de vontade de mamar e minha consciência prefere acreditar nessa segunda opção. E quando eu pegava ele no colo ele já vinha desesperadinho com  a boquinha aberta e para mim os dentinhos reluziam como um punhal ao sol.

E assim foram dias e dias de conflito mamãe x dentinhos do bebê. Até que achei uma dica no maravilhoso mundo da internet que deu certo comigo. E foi muito simples. Depois que fiz umas três ou quatro vezes ele nem tentou morder mais e eu fiquei feliz da vida. Veja só: todas as vezes que ia amamentar meu bebê fazia com que ele abocanhasse o seio além do normal, ficando assim com a boquinha mais aberta, mais cheia, podemos dizer. Desta forma ele não conseguia morder e em nada atrapalhava a sucção que é feita principalmente com o apoio da língua e não do abrir e fechar dos dentes. E ficava bem atenta para os momentos em que eu notasse que ele fazia uma pausa pra assim tirar a boca dele rapidamente e não ficar dando sopa.

Durante a madrugada ele ainda tentou dar suas mordidas algumas vezes e até hoje tenho um pouco de receio quando vou amamentar nesse horário. Mas ele se comporta muito bem !

Hoje ele só morde quando quer me sacanear... É isso mesmo. Como de um lado temos um bebê que está crescendo e ficando esperto a cada dia e de outro uma mãe que sempre acha que o filho não comeu ou não mamou o suficiente e às vezes  tenta dar uma complementadinha no mamá mesmo sem o bebê querer, aí ele entra em ação. Ele abre a boquinha como se fosse mamar eu fico toda feliz aí ele dá uma mordidinha mais fraca e se inclina pra trás rindo e olhando para mim como quem diz: eu não te avisei que não queria mais ?

Pra maioria das coisas dá-se um jeito na vida e graças a Deus essa foi uma delas ! Desejo boa sorte se você tiver por aí uma boquinha de serrote ao seu alcance !

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Minha história de criar com apego (Attachment Parenting)


Hoje posso dizer com certeza que o bichinho com o qual mais tenho me assemelhado é a borboleta. Acho que é o bichinho que mais traduz a beleza da transformação que o ser humano vive diariamente. E muita gente acha que é vergonhoso mudar seu pensamento hoje ou amanhã. Princípios e valores morais não devem ser alterados mesmo, mas nossa vida é repleta de pequenas decisões todos os dias que podem direcionar nosso futuro para aqui ou ali e eu me sinto muito feliz em dizer que eu mudo todos os dias buscando melhorar e criar um ambiente melhor ao meu redor.

Todos nós trazemos referências de pater/maternidade de nossa infância e de algumas construções à partir do convívio em sociedade. Antes de ser mãe de fato, a mãe que eu idealizava em mim era muito diferente. Era cheia de regras, regras duras, de limites, de espaços bem definidos de onde pisar. Como se fosse uma fórmula mágica !

Hoje eu só posso dizer:  rá, rá, rá.... Aquele primeiro chorinho na maternidade já veio me "quebrando as pernas" e quase tudo aconteceu de um jeito que eu nem imaginava ! Quase tudo mesmo !!

Ainda me lembro, com muito arrependimento que, quando chegamos em casa já fui logo tentando treinar meu recém nascido de 5 dias a dormir sozinho, a não chorar fazendo manha, a não ficar muito no colo pra não mau acostumar, a mamar nos horários certos... Parece ridículo, não é ? Como uma criancinha de 5 dias fora da barriga vai entender tudo isso ? Ela não tá nem conseguindo entender o que está acontecendo pois, onde está aquele lugar quentinho e quietinho ? Por que eu consigo me esticar todo? Por que eu sinto frio e calor (quando será que ele vai aprender o que é frio e calor)? Existe uma avalanche de adaptações para esse mini ser humano em novas terras e eu preocupada com o horário de Brasília, é isso ?

Graças à Deus que toca o nosso coração na medida e hora certa. Como diz uma prima: A melhor apostila da mãe é a do coração. Aliado isso à quantidade de informações que hoje temos, a lagartinha começou a querer criar asas mais uma vez.

Comecei a perceber que, se meu pequeno bebezinho chora, é porque ele não está entendendo nada coitado ! Ele não sabe dizer: Ô dona, você que me guardava aí na sua barriga, façavor de me explica o que que é isso aqui ? Ele só sabe verbalizar chorando... você já tentou dizer algo à alguém que não quer te ouvir, seja no trabalho ou na família ? É horrível... E por que eu deveria submeter essa criaturinha indefesa a isso ?

Se eu já senti medo começando num trabalho novo e fiquei feliz em encontrar alguém conhecido, o que dirá meu bebezinho que está em um "país" totalmente diferente do que ele conhecia e que só conhece a mim e ao papai. Eu não devo então acalentá-lo ?

E outra, bebezinho chora... qual é o problema nisso, se não for um choro patológico?

Sempre quis muito manter amamentação exclusiva até os seis meses completos. E aprendi que a livre demanda é deixar o bebê sempre satisfeito e feliz. Muitos estudos mostram que, além dos benefícios físicos (nutrientes adequados, imunidade) a amamentação traz imensos benefícios emocionais e psíquicos. Ainda estamos no meio do caminho aqui e, por diversas razões, provavelmente eu terei que fazer a introdução de alimentos um pouco antes dos seis meses porém, estou decidida a viver a amamentação prolongada com o meu pequeno até o momento que julgarmos benéfico para os dois. Também sabemos que a amamentação prolongada continua dando imunidade à criança, que ela tem através do leite materno um alto percentual dos nutrientes necessários em sua dieta diária e é um contato que somente fortalecerá o vínculo e a certeza que a criança tem de que é cuidada e amada. Acho incômodo a facilidade que o mundo hoje ainda tem em não enxergar isso e desrespeitar quem  zela por sua criança desse modo.

Descobri como é delicioso acordar ao lado do meu bebezinho e melhor ainda, é agora ser acordada por ele, com aqueles dedinhos gordinhos tentando abrir meus olhos pela manhã e me dando um baita sorriso com seus "dentinhos de gengiva" quando eu ainda estou bêbada de sono e só abri o olho um pouquinho. No começo estávamos muito rígidos quanto à esse compartilhamento de cama, mas hoje meu marido tem o maior prazer de aconchegar nosso bebezinho conosco. Meu pequeno já é bem espaçosinho e, quando "vamos mamar" deitados ele gosta de colocar suas pernas em cima das minhas e segurar minha mão. Quando estamos todos juntos, meu  marido pode participar ativamente deste momento segurando as mãos do bebê e deixando que o pequeno apoie suas perninhas nele. Nada é mais delicioso !

Abracei com muita vontade também o uso do sling ! Assim nós podemos passear pra lá e pra cá com o meu pequeno sempre feliz e seguro perto da mamãe e até o papai se arrisca.

Também sou muito a favor do desenvolvimento da criança à partir da real interação dela com o mundo. Faço todo o possível pra entretê-lo com brincadeiras e brinquedos. Acho que a televisão ainda pode esperar e não acredito que o poder de qualquer ave com pequenas manchas no corpo seja maior do que o poder de uma mãe e  um pai interagindo e auxiliando seu bebezinho a desenvolver-se. Tudo tem seu tempo.

Aqui em casa tem muitos sorrisos, abraços, beijinhos e, se precisamos falar sério, falamos com muito amor na voz e no olhar. Tem muitas brincadeiras, musiquinhas ao vivo, historinhas e oraçãozinha com o bebê. Ouço muito e vou repetir aqui: ninguém fica mimado, malcriado ou mau caráter por ter bastante amor !

Todas minhas atitudes, assim como todas as boas mães, são visando uma criação cheia de amor, onde consigamos ensinar respeito, hierarquia e disciplina em um lar com muito amor, cuidado, atenção e respeito ao bebê e suas necessidades que para nós são tão pequenininhas mas, para ele, é tudo o que há de conhecido.

Hoje eu sei falar um pouco de bebezinhos. Bebezinhos bem pequenos. E, como eu gosto de enfatizar, cada um tem o direito de acreditar e praticar aquilo que mais combina com seu modo de vida. Não sei como será com a próxima fase da infância do meu filho, mas eu espero continuar aprendendo, inovando o que há em mim no intuito de fazer o melhor por ele.  Borboletas sempre são mais bonitas e mais úteis que lagartas. Amanhã pode ser que uma nova borboleta queira nascer.

E se você quer saber e ver mais sobre Criar com Apego, pode fazer uma busca rápida na internet e vai achar muita coisa legal. Inclusive no http://www.cientistaqueviroumae.com.br/ que foi quem organizou na data de hoje a blogagem coletiva sobre o tema. O que eu escrevi hoje é apenas um pouquinho do universo que bate à nossa porta e à porta dessa nova geraçãozinha que vem chegando por aqui.