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sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Mito Quantidade x Qualidade

Esse texto escrevi em 20/03/2013 e só agora estou publicando... sem querer combinou com o que eu escrevi hoje e vou publicar em breve...
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Há muitos meses atrás eu comecei a escrever esse texto. Na verdade não comecei a escrevê-lo mas comecei a desenhá-lo em minha mente. E nesse dia eu estava batendo perna pela cidade com a cria dormindo no sling. Tipo de passeio que eu acho uma delícia até umas duas horas de duração porque depois disso ninguém merece o peso !!
Pois bem, estava a rua, eu, a cria, o sling, a mente fervendo e meu celular. Lógico que tive a brilhante idéia de narrar meus pensamentos ao gravadorzinho do celular. Depois ficaria muito fácil transcrever. Até fiz a narração, mas como meu celular sofreu um acidente, mais propriamente deu um “PT sanitário” vou ter que resgatar tudo outra vez. Mas não faz mal. É exercício !
O assunto desse dia, retornou há alguns dias atrás em discussão com as minhas amigas mamães e, por isso, resolvi desenlatar os pensamentos e registrar o meu protesto ao cosmos ou a sei lá quem.
A questão para mim é clara: EU NÃO ACREDITO NO MITO: QUALIDADE COMPENSA QUANTIDADE.
Poderia finalizar o post aqui. Pra mim estaria claramente explicado e bem definido. Não existe matemática no universo que faça compensar com qualidade todo o tempo que não podemos dedicar aos filhos e à família. O que acontece é que, por não poder dedicar o tempo que eu gostaria, vou ter que fazer mais do que o meu melhor no pouco tempo que terei para tentar fazer valer a pena.
Algumas situações nós vivemos porque provocamos intencionalmente, outras porque não pensamos e outras porque simplesmente acontecem e não dá para evitar (acredito que essas sejam a minoria). Eu sei que vivo este meu dilema do falso mito, não digo nem por falta de planejamento, mas porque minha espada justiceira não deu-me a visão além do alcance antes que eu tomasse minha decisão por ter filhos. Sim, eu acreditava que ter filhos seria como deixar o vestido na lavanderia de manhã e buscar no final da tarde, bem limpinho e cheirosinho. Acreditava que ter filhos seria como criar peixinho beta que você alimenta uma vez de manhã e lava o aquário uma vez por semana. E tanto no caso do vestido quanto do peixinho você não passa o dia no seu trabalho pensando “Será que o peixinho está feliz? Será que sua água está gostosa?” ou então “ Será que estão lavando o meu vestido com sabão para roupas delicadas ? será que vão enxaguar com amaciante que tem cheirinho de flores do campo?” E em nenhum momento você tem vontade de ligar pro homem da lavanderia, ou de sair correndo na hora do almoço pra olhar o vestido um pouquinho... É difícil explicar esse troço estranho que acontece com você. Como é que ferve tudo dentro do seu coração. O que é que aquele meio metrinho de gente faz quando vem pro lado de fora da barriga é algo absurdamente louco !!! E não somente o que eles fazem, mas a sabedoria divina e da natureza que aguçam em nós esse super senso de preocupação e abnegação nas mães e nos pais justamente porque ali está um ser humano totalmente indefeso e dependente.
Para pessoas como eu, que gostam de ter certo controle sobre tudo o que, o status de “família aumentou” vem derrubando muitos paradigmas e me ensinando a viver de um modo diferente, onde há mais entrega do que jamais houve em sua vida.
Isso tudo me faz crer que a quantidade de tempo merece muita atenção. Você consegue correr dez voltas no parque em meia hora. É fato que você não consegue correr as dez voltas em 10 minutos. Se você correr apenas três voltas bem corridinhas em dez minutos, com o melhor tênis e a melhor malha para a prática de esportes, o melhor isotônico em mãos terá o mesmo resultado ? Pense... A vida é assim.
Obviamente incomoda que eu me levante de manhã e, preocupada com o horário do trabalho, tenha que acordar a criança que ainda dorme muito profundamente e de forma relaxada. Incomoda chegar em casa com ele e ver que tenho o tempo cronometrado para trocar, brincar, dar o jantar, dar banho e fazer mais alguma coisinha antes que o sono dele venha como um vento forte lá pelas 20:30h. Incomoda que ele aprenda milhões de coisas durante o dia e que eu só descubra isso 5 dias depois. Incomoda muito ver que isso é mais normal e mais exigido pela sociedade e pelo mundo atual do que deveria.

Hoje eu me exercito de forma a tentar aceitar a minha realidade, me esforçar para aprimorar o que eu consigo fazer e buscar derrubar o mito dentro da minha própria casa.


quarta-feira, 23 de maio de 2012

Minha história de criar com apego (Attachment Parenting)


Hoje posso dizer com certeza que o bichinho com o qual mais tenho me assemelhado é a borboleta. Acho que é o bichinho que mais traduz a beleza da transformação que o ser humano vive diariamente. E muita gente acha que é vergonhoso mudar seu pensamento hoje ou amanhã. Princípios e valores morais não devem ser alterados mesmo, mas nossa vida é repleta de pequenas decisões todos os dias que podem direcionar nosso futuro para aqui ou ali e eu me sinto muito feliz em dizer que eu mudo todos os dias buscando melhorar e criar um ambiente melhor ao meu redor.

Todos nós trazemos referências de pater/maternidade de nossa infância e de algumas construções à partir do convívio em sociedade. Antes de ser mãe de fato, a mãe que eu idealizava em mim era muito diferente. Era cheia de regras, regras duras, de limites, de espaços bem definidos de onde pisar. Como se fosse uma fórmula mágica !

Hoje eu só posso dizer:  rá, rá, rá.... Aquele primeiro chorinho na maternidade já veio me "quebrando as pernas" e quase tudo aconteceu de um jeito que eu nem imaginava ! Quase tudo mesmo !!

Ainda me lembro, com muito arrependimento que, quando chegamos em casa já fui logo tentando treinar meu recém nascido de 5 dias a dormir sozinho, a não chorar fazendo manha, a não ficar muito no colo pra não mau acostumar, a mamar nos horários certos... Parece ridículo, não é ? Como uma criancinha de 5 dias fora da barriga vai entender tudo isso ? Ela não tá nem conseguindo entender o que está acontecendo pois, onde está aquele lugar quentinho e quietinho ? Por que eu consigo me esticar todo? Por que eu sinto frio e calor (quando será que ele vai aprender o que é frio e calor)? Existe uma avalanche de adaptações para esse mini ser humano em novas terras e eu preocupada com o horário de Brasília, é isso ?

Graças à Deus que toca o nosso coração na medida e hora certa. Como diz uma prima: A melhor apostila da mãe é a do coração. Aliado isso à quantidade de informações que hoje temos, a lagartinha começou a querer criar asas mais uma vez.

Comecei a perceber que, se meu pequeno bebezinho chora, é porque ele não está entendendo nada coitado ! Ele não sabe dizer: Ô dona, você que me guardava aí na sua barriga, façavor de me explica o que que é isso aqui ? Ele só sabe verbalizar chorando... você já tentou dizer algo à alguém que não quer te ouvir, seja no trabalho ou na família ? É horrível... E por que eu deveria submeter essa criaturinha indefesa a isso ?

Se eu já senti medo começando num trabalho novo e fiquei feliz em encontrar alguém conhecido, o que dirá meu bebezinho que está em um "país" totalmente diferente do que ele conhecia e que só conhece a mim e ao papai. Eu não devo então acalentá-lo ?

E outra, bebezinho chora... qual é o problema nisso, se não for um choro patológico?

Sempre quis muito manter amamentação exclusiva até os seis meses completos. E aprendi que a livre demanda é deixar o bebê sempre satisfeito e feliz. Muitos estudos mostram que, além dos benefícios físicos (nutrientes adequados, imunidade) a amamentação traz imensos benefícios emocionais e psíquicos. Ainda estamos no meio do caminho aqui e, por diversas razões, provavelmente eu terei que fazer a introdução de alimentos um pouco antes dos seis meses porém, estou decidida a viver a amamentação prolongada com o meu pequeno até o momento que julgarmos benéfico para os dois. Também sabemos que a amamentação prolongada continua dando imunidade à criança, que ela tem através do leite materno um alto percentual dos nutrientes necessários em sua dieta diária e é um contato que somente fortalecerá o vínculo e a certeza que a criança tem de que é cuidada e amada. Acho incômodo a facilidade que o mundo hoje ainda tem em não enxergar isso e desrespeitar quem  zela por sua criança desse modo.

Descobri como é delicioso acordar ao lado do meu bebezinho e melhor ainda, é agora ser acordada por ele, com aqueles dedinhos gordinhos tentando abrir meus olhos pela manhã e me dando um baita sorriso com seus "dentinhos de gengiva" quando eu ainda estou bêbada de sono e só abri o olho um pouquinho. No começo estávamos muito rígidos quanto à esse compartilhamento de cama, mas hoje meu marido tem o maior prazer de aconchegar nosso bebezinho conosco. Meu pequeno já é bem espaçosinho e, quando "vamos mamar" deitados ele gosta de colocar suas pernas em cima das minhas e segurar minha mão. Quando estamos todos juntos, meu  marido pode participar ativamente deste momento segurando as mãos do bebê e deixando que o pequeno apoie suas perninhas nele. Nada é mais delicioso !

Abracei com muita vontade também o uso do sling ! Assim nós podemos passear pra lá e pra cá com o meu pequeno sempre feliz e seguro perto da mamãe e até o papai se arrisca.

Também sou muito a favor do desenvolvimento da criança à partir da real interação dela com o mundo. Faço todo o possível pra entretê-lo com brincadeiras e brinquedos. Acho que a televisão ainda pode esperar e não acredito que o poder de qualquer ave com pequenas manchas no corpo seja maior do que o poder de uma mãe e  um pai interagindo e auxiliando seu bebezinho a desenvolver-se. Tudo tem seu tempo.

Aqui em casa tem muitos sorrisos, abraços, beijinhos e, se precisamos falar sério, falamos com muito amor na voz e no olhar. Tem muitas brincadeiras, musiquinhas ao vivo, historinhas e oraçãozinha com o bebê. Ouço muito e vou repetir aqui: ninguém fica mimado, malcriado ou mau caráter por ter bastante amor !

Todas minhas atitudes, assim como todas as boas mães, são visando uma criação cheia de amor, onde consigamos ensinar respeito, hierarquia e disciplina em um lar com muito amor, cuidado, atenção e respeito ao bebê e suas necessidades que para nós são tão pequenininhas mas, para ele, é tudo o que há de conhecido.

Hoje eu sei falar um pouco de bebezinhos. Bebezinhos bem pequenos. E, como eu gosto de enfatizar, cada um tem o direito de acreditar e praticar aquilo que mais combina com seu modo de vida. Não sei como será com a próxima fase da infância do meu filho, mas eu espero continuar aprendendo, inovando o que há em mim no intuito de fazer o melhor por ele.  Borboletas sempre são mais bonitas e mais úteis que lagartas. Amanhã pode ser que uma nova borboleta queira nascer.

E se você quer saber e ver mais sobre Criar com Apego, pode fazer uma busca rápida na internet e vai achar muita coisa legal. Inclusive no http://www.cientistaqueviroumae.com.br/ que foi quem organizou na data de hoje a blogagem coletiva sobre o tema. O que eu escrevi hoje é apenas um pouquinho do universo que bate à nossa porta e à porta dessa nova geraçãozinha que vem chegando por aqui.