Acho que vou aproveitar para falar mais um pouquinho mais sobre a minha gestação, já que me peguei meio nostálgica...
Na verdade eu sempre sinto saudade dos últimos momentos da gestação que foram como uma deliciosa aventura para mim !!!
Antes de engravidar eu já tinha definido de forma muito clara que gostaria muito que meu filho nascesse por parto e não intervenção cirúrgica e gostaria de amamentar exclusivamente até os seis meses. Então comecei a ler, fuçar daqui e dali, buscar informação e mergulhei num mundo muito cativante e delicioso. O qual amei e me identifiquei muito.
Estudei bastante sobre o trabalho de parto, sinais, duração, li mil casos e me preocupava muito com dois fatores sobre o trabalho de parto: Primeiro: Eu saberia identificar os sinais ? Segundo: Quanto tempo duraria meu trabalho de parto ?
Toda aquela ansiedade final descrita no texto anterior misturada com uma tonelada de informações quase me fizeram pirar. Desde histórias onde a mulher quase não nota que está em TP (trabalho de parto) e quase pari a criança enquanto toma seu lanche da tarde até aquelas que simplesmente não entram em TP e o bebê já está de 42 semanas.
De qualquer forma, desde o início, ao ler tantos relatos de histórias lindas de nascimentos, vi que muitas mulheres chegavam a ficar até 36 horas em TP, respirando controladamente, andando, fazendo exercício naquelas bolonas, recebendo massagens, ficando na água quente... Tudo á espera do herdeiro. Me convenci que era melhor eu me preparar psicologicamente para aguentar 3 dias ininterruptos de uma dor totalmente desconhecida. Afinal, você só conhece o seu limite quando chega até ele.
Bem, depois do almoço na casa da minha mãe, da mini aventura no mercado e da minha sandália tipo crock sem a palmilha, viemos para casa eu e meu marido, subimos as comprinhas, ambos exauridos pelo calor e por tudo que estava acontecendo. Decidi que deixaríamos as sacolinhas com as compras ali na cozinha mesmo e que na segunda feira pela manhã eu guardaria tudo pois o cansaço era enorme. E a todo tempo eu só conseguia pensar: quanto tempo mais eu vou aguentar ficar com essa barriga esticada que parece que vai estourar, com esse peso todo, com essas noites todas mal dormidas e com esse cansaço todo ? As vezes me dava vontade de chorar de agonia...
Depois de um banho relaxante e, nessa altura do campeonato eu só tomava banho sentada no banquinho, recebemos a visita de dois amigos muito queridos, a Rafa e o Gu pra um papo gostoso, e como o Gu é famoso por ser espoleta quando criança sempre rolava uma piadinha no sentido de que ele estaria mandando vibrações de "espuletisse" (que já parecem estar dando certo) pro meu bebê na barriga rsrs... e, depois da visitinha fomos nos deitar. Isso deveria ser por volta das 23 horas....
Às 03 da manhã exatamente acordei com um pequenino mal estar pensando que algo que havia comido me fizera mal. Fui ao banheiro e me deitei de novo. Após alguns minutos o mesmo mal estar. Novamente me levantei fui ao banheiro e quando voltei pro quarto pensei: Serão essa dorzinhas, contrações? O coração acelerou um pouco... Peguei o relógio e comecei a contar. As dores vinham fraquinhas a cada 5 ou 6 minutos. Vinham das costas pra frente, como se fosse uma cólica mesmo... Depois de uma meia hora começou a apertar um pouco, então decidi que era hora de acordar o marido e pedir para ele conferir a contagem dos intervalos para mim. Eu sempre o avisava de que ele somente seria acordado por mim durante a madrugada quando fosse papo sério. Ele contou e o intervalo das dores e era de 5 minutos em média. Contamos a duração da contração e elas estavam com 1 minuto a 1 minuto e meio de duração. Fiquei muito feliz e disse: Levanta e vamos pro hospital já !
Inventei de tomar banho de novo, afinal as malas estavam todas arrumadas sei lá desde quando e não tinha muito o que fazer naquela hora. E foi no meio do banho, com condicionador no cabelo que veio a primeira contração que me disse: "Querida... vai logo, você está tendo um bebê!" Achei que não conseguiria acabar o banho, mas mal sabia eu que elas ainda estava fracas. Á partir desse momento comecei a fazer as coisas somente nos intervalos das contrações. Me vestia um pouco, parava para respirar, penteava o cabelo um pouco, parava para respirar, coordenava o marido com as bugigangas que levaríamos para hospital, parava para respirar e assim foi....
Toda aquela tralha em cima da mesa, o marido andando pra lá e pra cá tentando parecer o ser humano mais calmo do mundo e eu lembrando de tudo o que deveria ser levado conosco para o hospital em meio às dores de uma parturiente totalmente sem experiência.
Tudo pronto ? Vamos tirar a última foto ao lado da árvore de natal, com aquele imenso barrigão, claro que isso no intervalo das contrações. Ah, o marido teve a brilhante ideia de filmar nossa aventura. Na hora confesso que só achava a ideia boa quando não tinha dores, do contrário eu tinha vontade de jogar a filmadora pela janela. Mas hoje é o registro mais legal que temos desse dia !!! Realmente a ideia do meu marido foi brilhante como sempre !!!
E toca descer elevador filmando, toca esquecer a porta de casa aberta, toca esquecer lembrancinha em casa e voltar pra pegar, toca ligar pros pais (logo mais avós) e mandar mensagem pras amigas avisando que estava indo para o hospital naquela hora, toca ligar pra médica. Isso às 04:30 da matina.
Uma dica importante para você, gravidinha prestes a se tornar parturiente: Você vai ficar na maternidade no máximo 3 dias, então não precisa levar tantas bagagens como se fosse passar um mês em Londres, ok ? A medida para você saber se exagerou um pouco é quando seu marido, que já vai ter que dirigir apavorado, não consegue ver o vidro traseiro por causa de tanta bugiganga que você inventou de socar no porta malas. Então,reduza a quantidade de "malinhas necessárias".
Trânsito e mais trânsito, numa segunda feira de dezembro de madrugada, dá pra acreditar ? E eu, totalmente inexperiente no assunto, comecei a descontrolar a respiração conforme as dores apertavam pois fui ficando desesperada... Perdi totalmente o controle do negócio. A cada contração eu ouvia meus ossos pélvicos estralarem fazendo "creck, creck, creck" e a sensação de que minha coluna e minha bacia se abriam um pouco mais a cada 2 minutos. Por isso a minha dica mais preciosa para você gravidinha prestes a se tornar parturiente: Não se desespere !! Controle a sua respiração mais do que tudo !!! Essa é a sua prioridade !!!
E vivi aqueles momentos sempre naquele super esquema de Sem dores = pessoa simpática, alegre, fofinha e fantástica. Com dores = pessoa que fura faróis, se contorce, dá grunhido horríveis no carro e acha que o bebê vai nascer no banco da frente. Isso o caminho todo com intervalos de 2 minutos até chegar no hospital.
Chegando lá, eu morrendo de dores, parecia uma eternidade. Estava tentando ser forte para não pedir analgesia, pois idealizei meu parto assim e apesar das contrações tudo estava acontecendo como eu desejara e eu chorava de felicidade ao pensar nisso. Às 7 da manhã, em meio aos cardiotocos (pra que fazer exame nessa hora meu Deus?? Já não bastava toda minha dilatação e todas as minhas dores ???) eu já tinha 8 centímetros de dilatação, me colocaram na banheira para aguardar a médica chegar, e junto com o meu marido uma enfermeira fantástica ficou me fazendo companhia. Pessoa doce, calma e confiante perfeita para esse trabalho, ficou me ajudando a respirar corretamente e relaxar até a médica chegar, que foi super rápida por sinal. Pena não ter alguém assim para acalentar os papais... Mas esse momento na banheira, com a luz fraca, água quentinha com jatinhos de hidromassagem batendo nas costas e na barriga, respirando profunda e corretamente, em perfeita paz... foi impagável... maravilhoso...
Continua...
Um comentário:
Eu nao faço a mínima ideia do pq esse assunto me encanta tanto... Li seu relato com muita emoção desejando ouvir isso de outras milhares de mulheres... Sua forma de escrever muito gostosa me deixou ansiosa pelo proximo capitulo... Continua logo...
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