sábado, 1 de fevereiro de 2014

Minha Gestação V

Coisas incríveis acontecem por pura coincidência, acaso, providência ou sei lá o que !

Hoje acordei muito decidida a escrever de novo e deixar alguns registros no meu bloguezinho. Há muito tempo não entrava aqui e... qual não foi a minha surpresa quando vi que exatamente HOJE decidi escrever, ou seja, depois de um ano da minha última postagem e exatamente com  a inspiração da parte V da história... Coisa de doido, não ?

Não sei se vou publicar hoje, mas que vou escrever, isso vou !

Gosto muito da ideia de parto humanizado. Gosto não. Acredito que não há outra opção. Gostaria muito que meu filho tivesse nascido em condições contrárias àquelas milimetricamente controladas que ele nasceu e, na última semana estive lendo algumas coisas que mexeram comigo.

Pois bem, meu bloguezinho é mais um blog de desabafos do que um blog com objetivo de causar comoção social e talz. Mas o legal é eternizar seus pensamentos e sentimentos. A vida é tão agitada que às vezes você não tem tempo pra notar as transformações em você mesma.

Lendo o último texto pude notar que fiquei sim muito feliz pela chegada do meu filho, mas que hoje, dois anos depois, continuo sentindo-me absolutamente traída e injustiçada por não ter tido o direito de escolha. Inclusive agora, enquanto escrevo, não consigo conter as lágrimas... Não sei se foi somente agora que aceitei ou entendi o tamanho da minha frustração ou se somente agora, dois anos depois, tive vontade de chorar copiosamente por isso.

Todo mundo tem direito a opiniões e escolhas. E minha opinião é que Deus dá exatamente o que precisamos. Se nascer do modo que a natureza manda não fosse plano divino ele teria dado à Adão um bisturizinho e dito: esse aqui é pra hora dos partos da Eva. Na hora você vai saber o que fazer, caro Adão. Está bem afiado. Boa sorte !

EU NÃO ACREDITO QUE PRECISEI DE INTERVENÇÃO CIRÚRGICA E PONTO! Sempre é preciso estudar um pouco mais, mas aparentemente tinha todas as condições perfeitas para parir meu filho. Exatamente do modo que havia me preparado por mais de nove meses. Muuuuito antes de engravidar eu já havia tomado a decisão. E ouvi piadas e gracejos de médicos, enfermeiros e pessoas próximas durante a gestação toda. Mas uma decisão não se muda assim. Ouvi desde o nenê é muito grande e você não tem passagem (essa é a primeira pilhéria mais comum na ala técnica) até você é muito mole e jamais vai aguentar uma dor de parto (essa é a primeira pilheria da ala "nada a ver"). O fato é que ignorei esse povo todo que é muito sem noção, me preparei para aguentar quanto fosse em trabalho de parto. Orei dia após dia para estar em condições de parir meu filho da forma mais natural possível e, quando cheguei no hospital com 7 dedos de dilatação eu chorei de felicidade, sabe ? Por que parecia que ia acontecer. Quando a médica chegou eu já estava com 10 dedos.Não foi justo... Minha bolsa ainda não havia estourado mas eu sabia que ia acontecer. Estava lutando, sem analgesia, como eu queria... Ninguém tinha o direito de desviar meu curso.

Eu amei toda a atenção que ganhei no meu pré natal. A médica foi cuidadosa, atenciosa e, tenho certeza que se fosse realmente necessária uma intervenção cirúrgica ela seria a pessoa mais adequada. Inclusive no meio do pré natal eu mudei de médica visto que a primeira era totalmente inexperiente, cesarista e não me transmitiu um pingo de confiança quanto à habilidade técnica e respeito ao ser humano. Tentei fugir e acreditava que havia dado certo.

Isso não é normal. E chorando nesse momento eu me lembro. Subiram em cima de nós, empurraram meu bebê com uma força descomunal pra ele sair, me chacoalharam pra tirar ele da minha barriga, me amarraram os braços, vi meu bebe alguns segundo quando ele nasceu e em meio às lágrimas pedi pro meu marido ir atrás dele. Eu fiquei com uma baita reação alérgica a um dos medicamentos e tive que ficar algumas horas em observação pois estava vermelha e com brotoejas pelo corpo todo. E enfia-se cano daqui e dali no pobrezinho, em meio a um monte de luzes fortes onde está mais do que óbvio que não são saudáveis pra quem acabou de sair de um lugar bem escurinho que esteve por nove meses.

Até hoje não tenho noção de quanto tempo dormi com os antialérgicos antes de ir pro quarto. Sei que horas depois eu pude ver e pegar o meu pequenino já todo cheio de roupas e "cuidados médicos necessários". E tudo porque eu tinha dilatação total quando a médica chegou mas o bebê não estava coroado já saindo sozinho é que eu precisei fazer uma cesárea ? É DESUMANO (poderia ser criminoso) desrespeitar o estado emocional frágil de uma parturiente.

E a cicatriz sinceramente não me incomoda. Me incomoda o tanto que parece que fui costurada de qualquer jeito. E isso mais pelo "ser mais uma na mesa" do que pela marca em si. Só a menciono porque faz parte da cena.

E o que me fez chorar e repensar mais um vez foi ler sobre VBAC (Vaginal Birth After Cesarean, em inglês) e pensar: Meu Deus... as pessoas trazem uma possibilidade real de problema na vida do outro por simplesmente terem criado e feito você acreditar que houvesse um real problema. Eu sei que, se um dia  eu engravidar novamente, um VBAC pode sim ter sucesso, mas já temos pelo menos um ponto de controle a mais.

Tudo o que diz respeito ao nascimento de um filho deve te fazer chorar de alegria somente. Não deveria existir NADA que te provocasse essa sensação de impotência, de pequenez. Esse inconformismo que não pode ser corrigido, que não pode ser retrocedido. Essa sensação de injustiça.

Nós crescemos bastante com nossa experiências. E às vezes a experiência do outro não te faz aprender porque você não tem empatia o suficiente pra sofrer com o outro como se estivesse acontecendo com você.

Quero conseguir deixar de lado essa parte que faz doer meu coração a respeito do nascimento do meu filho. Se um dia eu tiver uma nova oportunidade já terei aprendido melhor o que dizer e não terei dúvida do que fazer.

E assim a vida segue. E tenho um tesouro rico, loiriiiinho, sorridente, inteligente, saudável, sapeca que faz tudo isso ficar pra trás a cada gargalhada, pulo, pedido de colo ou chorinho de manha que ele dá. Ver ele dormindo aqui ao meu lado faz tudo parecer pequeno. E é exatamente isso que me faz ver a perfeição de Deus em nossa vida.

E ponto final.

E publiquei...

Um comentário:

Prince SP disse...

Amiga, você sumiu! O que aconteceu? Acho seu blog super show! Acompanho suas aventuras desde o início e já li e reli suas histórias trocentas vezes! Engraçado como passa rápido o tempo... Parece que foi ontem que li sua primeira postagem, e à partir daí, sempre e sempre entro para acompanhar um pouquinho mais de perto a vida dessa mamãe tão especial! Nunca deixe de escreve tá?/ amo suas histórias! Bjos no coração! Prince